quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O homem de cera

Passou um mês, passou mês e meio e só então Hugo Chavez apareceu e, ainda assim, só em foto. Para meus pequeninos olhos, pareceu mais um boneco daqueles de museu de cera do que uma pessoa. O mesmo sorriso plastificado, pele de cor amarelada e praticamente a mesma posição nas duas fotografias que foram divulgadas, mas o suficiente para colocar fim a longa espera sem nenhuma imagem ou pronunciamento do presidente reeleito.
Não sei se existem outros casos como este na história recente, em que um governante tomou posse não só longe do palácio presidencial, mas estando num hospital em outro país. E sem aparecer. Isso me fez lembrar um daqueles filmes da Sessão da Tarde, em que o presidente adoece e colocam um sósia no lugar. Muitas vezes desde 10 de janeiro, data marcada para a cerimônia de posse na Venezuela, imaginei os chavistas correndo para encontrar alguém para colocar no lugar. Achei que ele já estava morto.
A aparição dele agora alivia a desconfiança, mas não resolve 100% do problema. O presidente voltou ao solo venezuelano, mas segue internado (e sem novas imagens). Se não voltar ao ritmo normal em breve, alimentará de novo os boatos que circulam desde o ano passado de que o câncer que tem está num estágio irreversível.
Os venezuelanos, aliás, deviam processar Chavez por estelionato. Afinal, durante toda a campanha eleitoral foram convencidos de que ele estava no auge da sua forma e depois da apuração, ele foi internado num estado tão deplorável que foi mantido longe dos olhos do povo. Nem em conto de fadas esse câncer teria surgido de um dia pra outro sem ninguém saber. Quer ser revolucionário, mas segue velhas práticas da política.

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