sábado, 23 de abril de 2011

Reestudando a História

Quando eu era pequena, meu pai costumava dizer que o general Pinochet havia desgraçado o dia do meu aniversário.  Em 11 de setembro de 1973, exatamente três anos antes de eu nascer, ele comandou o golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende. O Chile voltou a democracia, mas persistiu a dúvida se o presidente se matou ou foi assassinado quando as tropas entraram no palácio. Agora o governo chileno vai exumar o corpo para determinar a erdadeira causa da morte. É a Amèrica latina em busca da verdade.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Famélicos, iogurtes e o Banco Mundial

Nos anos 80, o mundo voltou os olhos para o problema da fome na África. A mistura de guerras, governos enfraquecidos e secas resultou em multidões de pessoas famélicas, quase um amontoado de ossos cobertos pela pela negra e sem viço. A causa ganhou o apoio de vários artistas, com dezenas de apresentações para arrecadar fundos para alimentar os famintos e a venda de milhões de cópias do disco We are the world. Mas era difícil entender realmente o que era passar fome de verdade. Para meus irmãos e eu, o auge da luta por alimento era convencer os pais a comprar iogurte, item quase de luxo para uma família de classe média. Curiosamente, o iogurte se tornaria um dos símbolos da melhora da economia brasileira e controle da inflação uns dez anos depois. De lá pra cá, o mundo evoluiu mas ainda existem 1 bilhão de famintos pela Terra e outros bilhões que tem sentido o soco no estômago cada vez que vão ao supermercado e esvaziam a carteira. O preço dos alimentos é motivo de preocupação do nosso dia-a-dia e desde 2008, é também do Banco Mundial. A entidade está promovendo o debate nesta quinta e sexta-feira sobre a possível nova crise alimentar e reunindo propostas para manter as cotações em níveis aceitáveis. O banco calcula que a alimentação mais cara colocou mais 44 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza. O slogan do debate é sugestivo: "Put food first". Para o Banco Mundial, a produção de alimentos está ligada ao combate à fome, mas também à geração de empregos e renda nos países em desenvolvimento. É só lembrar que foi a venda de grãos que ajudou a equilibrar a balança comercial brasileira nos últimos anos. Uma das coisas que mais me incomoda na questão alimentar é pensar que pagamos tão caro e os produtores nem sempre ficam com esse lucro todo. Precisamos comida, isso gera demanda por fertilizantes, eles aumentam de preço, a alimentação fica mais cara mas o agricultor não fica necessariamente mais rico. Pra completar, há o risco de alguma intempérie (de furacões a terremotos que destroem usinas nucleares) provocar quebra de safra. Isso deixa muito governante em pânico, afinal o povo de barriga vazia foi personagem das revoluções Francesa e Bolchevique e da revolta dos haitianos em 2009.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Com o brinquedo alheio

Entre as minhas mais antigas lembranças está o Jornal Nacional mostrando um tal de Kadhafi, um tipo de vilão (por motivos que na época eu não entendia). Muitas plásticas depois, nem todas bem sucedidas, o personagem da minha infância continua no mesmo lugar. A diferença é que agora a oposição vem de dentro da Líbia e o mundo ocidental parece não chegar a um consenso de que castigo vai dar para ele. Cortar a sobremesa? Armar os líbios que não gostam dele? Jogar bombas com um avião? A União Africana parece não estar se divertindo muito nessa história e procura negociar a saída dele. Quem sabe o exílio em algum lugar exótico? A palavra de ordem é evitar mais um conflito armado na região (daqueles sem hora para acabar), ainda mais porque a Líbia é das sócias mais ricas da União. Não sei se a parte sobre "negociar a paz" será possível. Essa semana, um soldado de Kadhafi foi fotografado com armas pesadas, de fabricação russa. Não seria incomum numa guerra, não fosse o fato da Rússia garantir que não vendeu este tipo de armamento para a Líbia, mas vendeu para a Venezuela. Parece que o Chavito emprestou alguns de seus brinquedos para o amigo.