Assim como oxigênio e combustível são ingredientes necessários para fazer fogo, uma massa de desempregados e um mártir fazem incendiar as ruas. É o que vemos esta semana em Londres, depois que um jovem foi morto pela polícia. A fleuma britânica parece ter sido perdida em algum lugar em meio aos destroços dos prédios, atacados por uma massa que, inicialmente, queria protestar contra a violência policial. Mas por trás do quebra-quebra o que há são moradores que sentem os efeitos de um cenário econômico pouco favorável, composto por desemprego, corte de investimentos e crise fiscal de vários governos europeus.
Os anos recentes nos oferecem outros exemplos de como fatos isolados se tornam fagulhas que inflamam uma atmosfera econômica já repleta de incertezas. Poucos lembram, mas a onda de protestos na Grécia iniciou no final de 2008, quando um adolescente de 15 anos foi morto num confronto com a polícia. Novas manifestações se sucederam e, na falta de uma solução para a crise financeira, a disposição da população em reclamar parece ter crescido tanto quanto a desconfiança internacional de que o governo grego vá dar o calote. Há pessoas sem receber salários há meses e até os taxistas fazem greve, num país onde o turismo é uma das principais atividades econômicas.
Foi a morte de um cidadão comum também que iniciou a chamada Primavera Árabe. Um tunisiano, que queria apenas uma licença para vender alimentos nas ruas da capital Túnis, ateou fogo no próprio corpo para expressar sua revolta com a cobrança de propinas. A revolta dele parece ser compartilhada por outros conterrâneos seus. As manifestações populares culminaram na queda do presidente Ben Ali, que governou por 23 anos(!!!).
Não foram poucos os governantes da região que temeram reações semelhantes em seus territórios. Elas de fato ocorreram. Egito, Síria e Líbia ainda buscam o caminho da democracia, mas a violência ainda é uma triste realidade, principalmente para sírios e líbios. A fagulha chegou rapidamente, mas o combate ao incêndio é lento. Mesmo que os confrontos armados terminassem hoje, ainda seria preciso criar condições de governabilidade, em nações onde poucos se arriscavam a fazer oposição e participar do processo político até então.
Era uma vez uma menina que brincava e assistia muito noticiário. Ela aprendeu a ler e se transformou numa monstrinha que comia livros. Petrificados por sua cabeça ou talvez enfeitiçados por seu sorriso, os guardiões a deixaram entrar nos castelos do saber. Para acalma-la era só dar-lhe mais livros. Feliz, ela retribui contando histórias e tentando explicar o mundo. Às vezes visto pelos olhos doces de um pequeno príncipe de Exupéry, outras pelos de princesa maquiavélica.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Tudo muda
- O que você vai ser quando crescer?
Esta é possivelmente uma das perguntas que mais ouvi durante a infância. Aposto que o mesmo se passou com vocês, pois o ser humano dedica bastante tempo a imaginar como será o futuro... e geralmente erra.
Há 20 anos, alguém apostaria que um negro governaria os Estados Unidos, que a economia norteamericana não seria a mais sólida do mundo e que greves constantes assolariam a Europa? Os mercados financeiros registraram repetidas baixas nos últimos dias. Parte da reação está baseada em indicadores e fatos políticos, como a difícil negociação sobre a dívida no congresso dos EUA. Outra parte se deve aos muito otimistas e muito pessimistas: investidores que imaginam o pior cenário possível para a economia mundial daqui para a frente e os que imaginam uma forma de ganhar no meio da crise.
A única certeza nesta hora é que 90% das previsões devem estar erradas. O retrospecto da Política Internacional mostra o quão difícil é dizer com relativa exatidão o que nos espera no mundo dentro de alguns anos. Foi assim na década de 1980: nem os melhores analistas previram a queda do muro de Berlim e a divisão da União Soviética. Mas aquele que tiver a sorte de dar um palpite feliz, que se confirme, pode garantir um lugarzinho no hall da fama dos analistas políticos.
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