Neste fim de semana, o diretor do FMI e pré candidato às eleições presidenciais na França, Strauss Kahn, foi preso. A acusação é de que teria estuprado uma funcionária do hotel em que se hospedeu em Nova York. Poucas horas depois, outra mulher o acusou de crimes sexuais. Enquanto isso, na Itália, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi responde a um processo judicial por fazer sexo com uma prostituta menor de idade. Já o dono do Wikileaks, Julian Assange, é acusado de transar sem usar preservativo, o que é crime na Suécia.
O curioso nestas três histórias é que a principal fonte das críticas aos acusados sempre esteve além do que fazem entre quatro paredes. Quantas vezes militantes de esquerda bradaram contra políticas dos dirigentes do Fundo Monetário Internacional que afetaram países pobres? Quantas suspeitas foram levantadas sobre os negócios do premier italiano? E quanta dor de cabeça as revelações do site Wikileaks trouxeram para o governo americano?
É impressionante ver que quem se envolveu em situações tão complexas seja detido por um dos aspectos mais primitivos do ser humano. Podem ter provocado efeitos desastrosos em economias inteiras, ter feito negócios escusos ou revelado informações privilegiadas com consequências gigantescas, mas caíram pelo sexo. Não quero aqui desmerecer acusações (graves, sem dúvida) de estupro ou abuso de menores, mas tudo isso é um sinal do quanto a nossa sociedade continua puritana. Homens (e mulheres também) são julgados mais pelo que fazem privadamente do que pelo que fazem na vida pública. Parece que a sexualidade de uma personalidade política choca mais do que a guerra.
A prisão de Kahn virou assunto da semana. O apresentador William Waack abriu o noticiário outro dia dizendo que o poder torna as pessoas mais bonitas, mas eu acho que esta frase não se aplica ao (quase ex) presidente do FMI. A camareira que ele teria atacado está traumatizada, o que é bem compreensível. Eu também ficaria horrorizada se visse esse coroa pelado correndo na minha direção, querendo meu corpinho ou minha assinatura num empréstimo que levará até minha alma.
Era uma vez uma menina que brincava e assistia muito noticiário. Ela aprendeu a ler e se transformou numa monstrinha que comia livros. Petrificados por sua cabeça ou talvez enfeitiçados por seu sorriso, os guardiões a deixaram entrar nos castelos do saber. Para acalma-la era só dar-lhe mais livros. Feliz, ela retribui contando histórias e tentando explicar o mundo. Às vezes visto pelos olhos doces de um pequeno príncipe de Exupéry, outras pelos de princesa maquiavélica.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Imagens reveladas
Quem tem mais de 20 anos deve lembrar da fotografia sem tecnologia digital. Tinha que comprar o filme, controlar quantas poses foram batidas e sempre tinha o risco da máquina não puxar o filme ou de algum acidente velar a película. Hoje é só chutar uma pedra e aparece alguém com uma câmera digital, seja aqui ou no Paquistão.
Talvez por isso estejamos tão ansiosos pela imagem de Osama Bin Laden morto. Somos uma sociedade cada vez mais visual. Perdemos a confiança nas palavras, mas geralmente acreditamos no que vemos, mesmo que seja uma reprodução no papel ou na tela do computador (e que o homem já tenha criado o Photoshop). A foto vale por mil palavras, ou pelo menos reduz a adesão a teorias da conspiração sobre uma morte sem corpo.
O governo americano diz que jogou Bin Laden no mar porque não havia país disposto a enterra-lo e que não divulgará imagens da morte porque não gostaria que seus soldados recebessem este tratamento se fossem abatidos em combate. Mas há poucas horas, vazaram as fotos de outros dois homens que teriam morrido na operação na casa do terrorista e já há quem aposte que em breve será possível ver Osama's final shot (ou Obama finally shot him...).
Independente do nome que esta obra possa ter, o fato é que será muito difícil mante-la em segredo em tempos de internet, Wikileaks e celulares dignos de 007 (o dos anos 70, é claro). Para os Estados Unidos, a revelação da verdade pode ser danosa e atiçar alguns radicais interessados em criar um mártir. O silêncio tampouco ajuda: só estimula a imaginação dos desconfiados e coloca em dúvida se a invasão à casa do terrorista no Paquistão realmente ocorreu do jeito que nos contaram. Alguns podem sair com o filme queimado dessa história.
Talvez por isso estejamos tão ansiosos pela imagem de Osama Bin Laden morto. Somos uma sociedade cada vez mais visual. Perdemos a confiança nas palavras, mas geralmente acreditamos no que vemos, mesmo que seja uma reprodução no papel ou na tela do computador (e que o homem já tenha criado o Photoshop). A foto vale por mil palavras, ou pelo menos reduz a adesão a teorias da conspiração sobre uma morte sem corpo.
O governo americano diz que jogou Bin Laden no mar porque não havia país disposto a enterra-lo e que não divulgará imagens da morte porque não gostaria que seus soldados recebessem este tratamento se fossem abatidos em combate. Mas há poucas horas, vazaram as fotos de outros dois homens que teriam morrido na operação na casa do terrorista e já há quem aposte que em breve será possível ver Osama's final shot (ou Obama finally shot him...).
Independente do nome que esta obra possa ter, o fato é que será muito difícil mante-la em segredo em tempos de internet, Wikileaks e celulares dignos de 007 (o dos anos 70, é claro). Para os Estados Unidos, a revelação da verdade pode ser danosa e atiçar alguns radicais interessados em criar um mártir. O silêncio tampouco ajuda: só estimula a imaginação dos desconfiados e coloca em dúvida se a invasão à casa do terrorista no Paquistão realmente ocorreu do jeito que nos contaram. Alguns podem sair com o filme queimado dessa história.
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