Quem tem mais de 20 anos deve lembrar da fotografia sem tecnologia digital. Tinha que comprar o filme, controlar quantas poses foram batidas e sempre tinha o risco da máquina não puxar o filme ou de algum acidente velar a película. Hoje é só chutar uma pedra e aparece alguém com uma câmera digital, seja aqui ou no Paquistão.
Talvez por isso estejamos tão ansiosos pela imagem de Osama Bin Laden morto. Somos uma sociedade cada vez mais visual. Perdemos a confiança nas palavras, mas geralmente acreditamos no que vemos, mesmo que seja uma reprodução no papel ou na tela do computador (e que o homem já tenha criado o Photoshop). A foto vale por mil palavras, ou pelo menos reduz a adesão a teorias da conspiração sobre uma morte sem corpo.
O governo americano diz que jogou Bin Laden no mar porque não havia país disposto a enterra-lo e que não divulgará imagens da morte porque não gostaria que seus soldados recebessem este tratamento se fossem abatidos em combate. Mas há poucas horas, vazaram as fotos de outros dois homens que teriam morrido na operação na casa do terrorista e já há quem aposte que em breve será possível ver Osama's final shot (ou Obama finally shot him...).
Independente do nome que esta obra possa ter, o fato é que será muito difícil mante-la em segredo em tempos de internet, Wikileaks e celulares dignos de 007 (o dos anos 70, é claro). Para os Estados Unidos, a revelação da verdade pode ser danosa e atiçar alguns radicais interessados em criar um mártir. O silêncio tampouco ajuda: só estimula a imaginação dos desconfiados e coloca em dúvida se a invasão à casa do terrorista no Paquistão realmente ocorreu do jeito que nos contaram. Alguns podem sair com o filme queimado dessa história.
Era uma vez uma menina que brincava e assistia muito noticiário. Ela aprendeu a ler e se transformou numa monstrinha que comia livros. Petrificados por sua cabeça ou talvez enfeitiçados por seu sorriso, os guardiões a deixaram entrar nos castelos do saber. Para acalma-la era só dar-lhe mais livros. Feliz, ela retribui contando histórias e tentando explicar o mundo. Às vezes visto pelos olhos doces de um pequeno príncipe de Exupéry, outras pelos de princesa maquiavélica.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
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