E o menino que ficou irritado quando tentaram tomar seu avião, parece que não sabe brincar. O mesmo Evo Morales, que há duas semanas se irritou com a exigência de ter a aeronave presidencial revistada para poder pousar em países europeus, hoje teve que pedir desculpas ao Brasil por ter revistado o avião do embaixador. Desconfiaram que Morales carregava da Rússia para a Bolívia Edward Snowden, acusado de divulgar segredos do governo americano. Morales desconfiava que o embaixador brasileiro tentava tirar da Bolívia um senador que pediu asilo ao governo brasileiro. Coisa difícil essa tal de Diplomacia...
Era uma vez uma menina que brincava e assistia muito noticiário. Ela aprendeu a ler e se transformou numa monstrinha que comia livros. Petrificados por sua cabeça ou talvez enfeitiçados por seu sorriso, os guardiões a deixaram entrar nos castelos do saber. Para acalma-la era só dar-lhe mais livros. Feliz, ela retribui contando histórias e tentando explicar o mundo. Às vezes visto pelos olhos doces de um pequeno príncipe de Exupéry, outras pelos de princesa maquiavélica.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
E duas semanas depois, alguns dos envolvidos no bullying diplomático pedem desculpas:
#podemosbrincarjuntosdenovo?
#podemosbrincarjuntosdenovo?
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Não mexam no meu avião!
O menino índio que andava pelas montanhas talvez tenha sonhado algum dia em andar de avião, mas possivelmente não imaginou que anos mais tarde comandaria um país, andaria de jatinho e veria muitas portas se abrindo para ele. Muitas, mas não todas...
Das montanhas do Cáucaso, lá na Rússia, até a Cordilheira dos Andes, na Bolívia, são muitas horas vendo o mundo por cima das nuvens. Até mesmo uma máquina precisa (re)pousar e recobrar as energias para seguir viagem, mas os grandiosos reinos de outrora, apesar de hoje estarem decadentes, tinham um preço para este pouso.
Quase que o avião de Evo Morales morreu de exaustão até conseguir pousar na Suíça e ainda assim com a tentativa de impor uma condição: que as autoridades pudessem buscar um tesouro escondido, o homem que delatou o esquema de espionagem organizado pelos Estados Unidos. Edward Snowden não viajou com Morales para se asilar na Bolívia. Ficou no limbo russo, dentro de um aeroporto de Moscou tentando conseguir uma forma de se refugiar em outro país para não ser julgado como traidor pelo governo americano. E Morales sentiu na pele mais uma vez o peso do preconceito, sendo tratado como liderança de segunda linha. A imunidade diplomática é brinquedo para os meninos dos olhos azuis.
Das montanhas do Cáucaso, lá na Rússia, até a Cordilheira dos Andes, na Bolívia, são muitas horas vendo o mundo por cima das nuvens. Até mesmo uma máquina precisa (re)pousar e recobrar as energias para seguir viagem, mas os grandiosos reinos de outrora, apesar de hoje estarem decadentes, tinham um preço para este pouso.
Quase que o avião de Evo Morales morreu de exaustão até conseguir pousar na Suíça e ainda assim com a tentativa de impor uma condição: que as autoridades pudessem buscar um tesouro escondido, o homem que delatou o esquema de espionagem organizado pelos Estados Unidos. Edward Snowden não viajou com Morales para se asilar na Bolívia. Ficou no limbo russo, dentro de um aeroporto de Moscou tentando conseguir uma forma de se refugiar em outro país para não ser julgado como traidor pelo governo americano. E Morales sentiu na pele mais uma vez o peso do preconceito, sendo tratado como liderança de segunda linha. A imunidade diplomática é brinquedo para os meninos dos olhos azuis.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Atolados na Baía dos Porcos
Yoani Sanchez foi um nome muito presente nas editorias internacional e de política nos últimos dias. A blogueira cubana, que tanto queria sair da ilha, conseguiu se valer das novas regras em vigor por lá para viajar ao Brasil. Aqui, a agenda incluiu o lançamento do próprio livro e muitas palestras e entrevistas coletivas, sempre marcadas por vaias e aplausos. Aliás, a reação de Yoani aos protestos quando desembarcava no Brasil foi um tapa de luva de pelica nos críticos: para ela, os gritos contrários são a manifestação da democracia que ela tanto defende em seu país.
Defensores e críticos da versão de socialismo implantada pelos irmãos Castro passaram a semana trocando farpas. De um lado, os que apontam restrições ao direito de expressão e prisões de cunho político em Cuba. Do outro os que enumeram avanços cubanos, como a baixa taxa de analfabetismo. Há também os que acham que a blogueira é sustentada por outros países (leia-se Estados Unidos) para atacar o regime.
O surpreendente é que na essência nenhum argumento é novo. É a repetição do velho debate comunismo x capitalismo, individual x coletivo. E lá estão, a esquerda, a direita e o centro políticos brasileiros discutindo se este é um modelo de sucesso ou de fracasso (enquanto a economia mundial não consegue engatar a segunda marcha e a China cresce adotando o melhor/pior destes dois mundos ao mesmo tempo). Yoani aproveita a visibilidade para criticar um governo do qual discorda e a esquerda e a direita do Brasil, para fazer política atrasada. Fidel Castro liderou a revolução em 1959 e o ataque à Baía dos Porcos aconteceu em 1961. Para nossos políticos parece que foi ontem!
Em um programa de TV da Globo, o processo de abertura ainda incipiente em Cuba foi comparado com o vivido por outros países socialistas, como a Polônia e a Tchecoslováquia (atual República Tcheca). Até aí, considerei válido o raciocinio. Mas comparar Yoani Sanchez ao líder cristão e ao poeta que assumiram o comando destes dois países após a redemocratização foi demais. Talvez falte para esta pequena brasileira conhecimento sobre a inserção da blogueira cubana dentro de seu próprio país, mas ficou a desconfiança de que estão forçando a barra. Se falar mal de governo trouxesse votos por si só, o que mais teríamos é eleição empatada.
Deixo aqui uma pergunta (que não significa apoio automático meu a práticas do governo cubano): se a moça é tão perseguida assim pelas coisas que fala, porque não está presa como outros e consegue continuar se manifestando? Desconfio que há nomes bem mais significativos na oposição cubana.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
O homem de cera
Passou um mês, passou mês e meio e só então Hugo Chavez apareceu e, ainda assim, só em foto. Para meus pequeninos olhos, pareceu mais um boneco daqueles de museu de cera do que uma pessoa. O mesmo sorriso plastificado, pele de cor amarelada e praticamente a mesma posição nas duas fotografias que foram divulgadas, mas o suficiente para colocar fim a longa espera sem nenhuma imagem ou pronunciamento do presidente reeleito.
Não sei se existem outros casos como este na história recente, em que um governante tomou posse não só longe do palácio presidencial, mas estando num hospital em outro país. E sem aparecer. Isso me fez lembrar um daqueles filmes da Sessão da Tarde, em que o presidente adoece e colocam um sósia no lugar. Muitas vezes desde 10 de janeiro, data marcada para a cerimônia de posse na Venezuela, imaginei os chavistas correndo para encontrar alguém para colocar no lugar. Achei que ele já estava morto.
A aparição dele agora alivia a desconfiança, mas não resolve 100% do problema. O presidente voltou ao solo venezuelano, mas segue internado (e sem novas imagens). Se não voltar ao ritmo normal em breve, alimentará de novo os boatos que circulam desde o ano passado de que o câncer que tem está num estágio irreversível.
Os venezuelanos, aliás, deviam processar Chavez por estelionato. Afinal, durante toda a campanha eleitoral foram convencidos de que ele estava no auge da sua forma e depois da apuração, ele foi internado num estado tão deplorável que foi mantido longe dos olhos do povo. Nem em conto de fadas esse câncer teria surgido de um dia pra outro sem ninguém saber. Quer ser revolucionário, mas segue velhas práticas da política.
Não sei se existem outros casos como este na história recente, em que um governante tomou posse não só longe do palácio presidencial, mas estando num hospital em outro país. E sem aparecer. Isso me fez lembrar um daqueles filmes da Sessão da Tarde, em que o presidente adoece e colocam um sósia no lugar. Muitas vezes desde 10 de janeiro, data marcada para a cerimônia de posse na Venezuela, imaginei os chavistas correndo para encontrar alguém para colocar no lugar. Achei que ele já estava morto.
A aparição dele agora alivia a desconfiança, mas não resolve 100% do problema. O presidente voltou ao solo venezuelano, mas segue internado (e sem novas imagens). Se não voltar ao ritmo normal em breve, alimentará de novo os boatos que circulam desde o ano passado de que o câncer que tem está num estágio irreversível.
Os venezuelanos, aliás, deviam processar Chavez por estelionato. Afinal, durante toda a campanha eleitoral foram convencidos de que ele estava no auge da sua forma e depois da apuração, ele foi internado num estado tão deplorável que foi mantido longe dos olhos do povo. Nem em conto de fadas esse câncer teria surgido de um dia pra outro sem ninguém saber. Quer ser revolucionário, mas segue velhas práticas da política.
Assinar:
Comentários (Atom)