O menino índio que andava pelas montanhas talvez tenha sonhado algum dia em andar de avião, mas possivelmente não imaginou que anos mais tarde comandaria um país, andaria de jatinho e veria muitas portas se abrindo para ele. Muitas, mas não todas...
Das montanhas do Cáucaso, lá na Rússia, até a Cordilheira dos Andes, na Bolívia, são muitas horas vendo o mundo por cima das nuvens. Até mesmo uma máquina precisa (re)pousar e recobrar as energias para seguir viagem, mas os grandiosos reinos de outrora, apesar de hoje estarem decadentes, tinham um preço para este pouso.
Quase que o avião de Evo Morales morreu de exaustão até conseguir pousar na Suíça e ainda assim com a tentativa de impor uma condição: que as autoridades pudessem buscar um tesouro escondido, o homem que delatou o esquema de espionagem organizado pelos Estados Unidos. Edward Snowden não viajou com Morales para se asilar na Bolívia. Ficou no limbo russo, dentro de um aeroporto de Moscou tentando conseguir uma forma de se refugiar em outro país para não ser julgado como traidor pelo governo americano. E Morales sentiu na pele mais uma vez o peso do preconceito, sendo tratado como liderança de segunda linha. A imunidade diplomática é brinquedo para os meninos dos olhos azuis.
Nenhum comentário:
Postar um comentário