Aprendemos quando crianças que mentir é algo muito feio, mas algumas pessoas parecem ter faltado à essa lição. Um número maior ainda faltou à lição sobre duvidar de tudo que escuta e a prova é o texto "Estudante é apedrejado até a morte por ser Emo" ser o texto mais lido desta manhã no site G1.
Como não vi referência a este assunto em nenhum dos noticiários que assisto e a matéria não parecer vir de uma fonte confiável, fiquei desconfiada. Fiz uma busca pela internet: diversos sites estavam simplesmente repetindo a história, usando o mesmo texto que está no G1, ou seja, ninguém foi atrás de nenhuma fonte para checar a veracidade.
Consegui descobrir a fonte original, o portal Al Arabiya, que dizia que a denúncia havia partido de ativistas iraquianos que procuraram um jornalista do Cairo. Primeira coisa que pensei: olha a distância entre o Cairo, capital do Egito, e o Iraque. Acho que o repórter não foi até lá checar a informação antes de publicar no jornal. O segundo problema é que a notícia fala em "Dozens of teenagers", que significa dúzias e não doze como consta na tradução para o português.
Então, teríamos uma denúncia ainda mais grave. No entanto, não tem uma linha sobre o assunto nos principais veículos que mantém correspondentes mundo afora. CNN, The Economist, Foreign Policy, BBC, Al Jazeera... ninguém menciona a perseguição aos emos. Só a Al Arabiya fez matéria sobre o assunto e ouviu gente no Iraque. São citados ativistas que afirmam que existe perseguição e fontes que negam as mortes e dizem que alguns jovens teriam cometido suicídio (o que não é impossível já que a cultura Emo cultua uma certa dose de depressão, que poderia levar alguns a uma atitude extrema). Alguns líderes religiosos acham que os boatos tem como objetivo colocar a opinião pública contra eles.
Como não estou no Iraque, não tenho como dar certeza de que as mortes não ocorreram, mas é preciso pensar mais sobre o que se lê. Na primeira tentativa de confirmar a história, ainda não se chegou nem perto das dúzias de mortos citados. Com tanto problema no Iraque, acho que os adolescentes emo não são prioridade no paredão.
Ficarei aqui esperando a verdade vir à tona.
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