segunda-feira, 16 de maio de 2011

Relações (Sexuais) Internacionais

Neste fim de semana, o diretor do FMI e pré candidato às eleições presidenciais na França, Strauss Kahn, foi preso. A acusação é de que teria estuprado uma funcionária do hotel em que se hospedeu em Nova York. Poucas horas depois, outra mulher o acusou de crimes sexuais. Enquanto isso, na Itália, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi responde a um processo judicial por fazer sexo com uma prostituta menor de idade. Já o dono do Wikileaks, Julian Assange, é acusado de transar sem usar preservativo, o que é crime na Suécia.


O curioso nestas três histórias é que a principal fonte das críticas aos acusados sempre esteve além do que fazem entre quatro paredes. Quantas vezes militantes de esquerda bradaram contra políticas dos dirigentes do Fundo Monetário Internacional que afetaram países pobres? Quantas suspeitas foram levantadas sobre os negócios do premier italiano? E quanta dor de cabeça as revelações do site Wikileaks trouxeram para o governo americano?


É impressionante ver que quem se envolveu em situações tão complexas seja detido por um dos aspectos mais primitivos do ser humano. Podem ter provocado efeitos desastrosos em economias inteiras, ter feito negócios escusos ou revelado informações privilegiadas com consequências gigantescas, mas caíram pelo sexo. Não quero aqui desmerecer acusações (graves, sem dúvida) de estupro ou abuso de menores, mas tudo isso é um sinal do quanto a nossa sociedade continua puritana. Homens (e mulheres também) são julgados mais pelo que fazem privadamente do que pelo que fazem na vida pública. Parece que a sexualidade de uma personalidade política choca mais do que a guerra.

A prisão de Kahn virou assunto da semana. O apresentador William Waack abriu o noticiário outro dia dizendo que o poder torna as pessoas mais bonitas, mas eu acho que esta frase não se aplica ao (quase ex) presidente do FMI. A camareira que ele teria atacado está traumatizada, o que é bem compreensível. Eu também ficaria horrorizada se visse esse coroa pelado correndo na minha direção, querendo meu corpinho ou minha assinatura num empréstimo que levará até minha alma.

3 comentários:

  1. Olha, Deni... Não sei te dizer se o problema do interesse público sobre o que eles, os políticos, fazem no privado tem a ver com o puritanismo social. Portanto, disparo assim ó - e aqui vai um comentário livre e sem nenhuma base teórica que me garanta coerência argumentativa: o que eles, "os deuses", fazem na "ágora" chama a atenção quando mostram o seu lado mortal, os traços de humanidade que os possibilitam sofrer, desejar, perder, ganhar, corromper, etc. Esse ataque ao privado é uma ferramenta política constante. Não digo que é justo; muito menos, coerente ou correto. Quem não tem um telhado de vidro? Como se vence uma guerra? Quais são os métodos adequados? O que é o adequado, portanto? Sei lá. Tenho minhas convicções, mas isso talvez não importe. Aliás, atrevo-me a expressar uma ideia. Antes que saia correndo de um coroa pelado que voa em tua direção, corremos todos nós nus ou vestidos do poder. O William Waack pode ter razão: ele "torna as pessoas mais bonitas", desejadas, "poderosas"... E a gente pode ser uma presa fácil, fácil...

    ResponderExcluir
  2. Eu lembrei daquela frase do Aristóteles ("o homem é um animal político") e os riscos de, se não gostamos da política, sermos controlados pelos que gostam. Acho que o poder afeta menos os meus olhos (ou ao menos o meu senso estético) e por isso acredito que continuarei com vontade de correr dos coroas pelados. Talvez isso mude e quando eu tiver uns 60 anos e passe a achar coroas atraentes hehehe
    Também me pergunto qual é o limite para a exposição pública. Parte do que as pessoas fazem na vida social e familiar é um indício dos valores que elas defendem. Se torna ainda mais importante num país como o Brasil, onde as pessoas admitem que votam "no candidato e não no partido".

    ResponderExcluir
  3. Boa. Confesso que não seria bacana te ver correndo atrás de um coroa pelado, mas concordo que a idade nos transforma. Olha, aquele que busca aumentar poder irá avaliar no tabuleiro suas opções (internas e externas). A gente sabe que as soluções pro problema são infinitas. Só com essa idea, poderia pensar que se explicariam as diferentes estratégias, como o ataque que sofreu Strauss-Kahn. Aqui não se trata de julgar o certo e o errado, ou o justo e o injusto. Simplesmente, é - ou foi. Gostemos ou não. E isso é duro pacas.

    ResponderExcluir